12 de jul de 2012

O Povo Cigano





Quem terá, pela primeira vez, chamado um cigano por este nome? E, no que se inspirou para dar-lhe o nome de cigano no sentido de querer identificar-lhe a raça e a origem?

A palavra cigano não existe no idioma romani. E em definitivo, no Congresso Mundial que reuniu centenas e centenas de ciganos de todas as partes do mundo, acontecido em Roma, em 1971, ficou estabelecido que este povo nômade, de pele morena, deveria ser chamado de Rom, que em romani quer dizer homem. As mulheres, são romís e o plural de rom é romá. Portanto, os romá não querem ser ciganos, mas aceitam ser identificados como ciganos, na maioria dos casos. Mesmo porque aqui no Brasil nunca se teve registro de uma perseguição que se igualasse a dos reis católicos Isabel e Fernando de Espanha, ou de Franco e Hitler. Com todos os problemas brasileiros, aqui os romá tem um território mais livre e são melhores aceitos. Hoje em dia ser rom/romí é poder viver nas estradas ou nos apartamentos e continuar preservando a tradição.

Portanto, os nomes ciganos - gitanos - tsiganes-zíngare são apelidos para os romá ou romanís, dados pelos não ciganos, principalmente no Velho Mundo Euro-asiático. E chamá-los de povo rom, manush ou povo romani é a denominação correta. Ambos os vocábulos são de origem sânscrita e, significam respectivamente homem ou pessoa, sendo que o nome Rom é mais comumente atribuído ao cigano de origem oriental, mais tradicionalista; e o nome Manush é a denominação mais comum aos que estão fixados na França, com hábitos mais ocidentais e também são conhecidos como Sinti. É assim que aceitam ser identificados.

Para os ciganos, todos os estranhos à sua raça são chamados de busné, payo ou gadjé, que em romani quer dizer literalmente aquele que não é cigano. Notamos que a denominação gadjé é a mais utilizada, principalmente nos países da Espanha, França, Itália, Portugal, Brasil e demais países de língua portuguesa.

No entanto, os gadjé, busné ou payos deram aos Ciganos muitos nomes diferentes. A principal delas - Cigano e suas traduções mais conhecidas - teria derivado do nome Atsinnganni , uma palavra grega para designar o praticante de uma seita mística, originária da Ásia Menor. Assim que tais praticantes começaram a aparecer no Império Bizantino, foram chamados de Atsinnganni, que na verdade quer dizer praticante de magia, mago ou bruxo. Diante do modo de vida e das tradições dos ciganos, foi fácil relacioná-los com este outro povo, também devido às práticas místicas pouco comuns, exercidas pelos ciganos e passadas de geração em geração.

Da palavra Atsinnganni, gadjés de vários países europeus, retiraram os diversos nomes que deram aos Ciganos. É claro que, nestes países, os Ciganos tiveram uma presença mais marcante e prolongada que nos demais: Egito, Grécia e Romênia e países dos Balcãs.

O pesquisador Olimpio Nunes, de Portugal, destacou em seu trabalho O Povo Cigano muitos dos nomes que se seguem. Podemos então comprovar a existência do radical do nome Atsinnganni, bem como sílabas transformadas pela acomodação lingüística no primeiro grupo de nomes:

Atsincani - Grécia

Tchinganie/Tchinghiani - Turquia

Tzigani - Bulgária

Zigani - Romênia

Ciganiok/Czygany - Hungria

Zingari - Itália

Cigano - Portugal/Brasil Cigan - Bulgária

Ciganin - Sérvia

Cygan - Polônia

Cykan - Rússia

Czygany - Hungria

Cigano - Lituânia

Zigeuner - Alemanha e Holanda

Zuygener - Alsácia

Zigeuner - Suíssa e Alemanha

Cingan - França (anteriormente)

Tsigane/Gitanes/Bohemies - França

Zingano - Italiano

Ciganus - Latim medieval

2º Egitanos - Gitanos - Espanha

Egiptoi - Grécia

Eugit - Albânia

Gitanes - França

Giptenaers - Holanda

Gypsies - Índia, Reino Unido

Mustalaiset ou Romaanii - Finlândia e Suécia

Observe os dois grupo anteriores. No primeiro, os nomes para a raça cigana vem de atsincani, cujo radical, sofreu sofreu algumas alterações que resultaram no nome cigano ou outros com o mesmo radical. No segundo grupo predominam os nomes que derivam de gipsy, cujo radical deu origem ao nome gitano e seus similares.

Mas freqüentemente, os Ciganos são confundidos com outros nômades com modo de vida semelhante no que se refere à maneira de se apresentar e morar, mas tratam-se apenas de grupos de pessoas sem qualquer referencial moral e ético, o que não é o caso dos Ciganos, que para se preservarem culturalmente, preferem estar com os seus, com que se relacionam sob a égide de um código moral e ético bastante rigoroso para os gadjés.

No entanto, os Ciganos também são comparados nos países europeus, a outros grupos nômades. Principalmente nos países em que a presença de estrangeiros é muito pouco tolerada. Por isso mesmo são identificados por nomes de outros nacionais, também repudiados em tais países:

Ismaelitas - Hungria e Romênia

Filistins - Polônia

Tártaros - Alemanha

Assírios e Etiópios - Inglaterra

Romanichels - França

Manouches - França

Húngaros - Espanha, Itália, Portugal e Brasil (anteriormente)

Errants - Países Árabes

De todas as denominações citadas acima, lidaremos com Cigano, que é a mais popular e mais comum às línguas neolatinas.

Dois grandes grupos ciganos formam a raça: os Rom (incluindo nesta denominação também os Sinti) e os Calé. O grupo Rom se subdivide em diversos subgrupos e clãs, identificados pela atividade profissional exercida. Distinguem-se entre si por particularidades pouco significativas, no que diz respeito a seus costumes ou aspectos de alguns rituais familiares, mas falam a mesma língua, porém com dialetos distintos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário